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A raiva dos herbívoros

Como identificar essa doença fatal para bovinos e humanos.

As doenças neurológicas dos bovinos abrangem um grupo de enfermidades importantes. Causam inúmeros prejuízos à cadeia produtiva da carne e do leite no Brasil e no mundo. Estima-se que somente a Raiva causa prejuízos em torno de 50 milhões de dólares anuais a nível mundial (KING & TURNER 1993). Elas se manifestam através de distúrbios neurológicos comuns, inespecíficos e com ampla variedade. Desta forma, o diagnóstico diferencial em relação às doenças neurológicas é imprescindível e bastante desafiador (QUEIROZ et. al. 2018). Alguns estudos reforçam a ideia de que a raiva é a doença neurológica mais prevalente no Brasil, e de que as meningoencefalites bacterianas ocorrem com menor frequência do que as de etiologia viral. (Sanches et al. 2000, QUEIROZ et. al. 2018).

Os sinais clínicos dessas doenças são inespecíficos e por isso o diagnóstico deve ser confirmado através de técnicas de histopatologia, histoquímica e imunohistoquímica. Porém essas técnicas também não possuem um índice tão eficaz de diagnóstico para algumas dessas enfermidades, excetuando a raiva. OLIVEIRA et al. 2016 obteve uma taxa de confirmação de diagnóstico de 7,6 % com a técnica de histopatologia para enfermidades do sistema nervoso de bovinos.

O conhecimento dos sinais clínicos que cada enfermidade provoca é crucial no direcionamento do diagnóstico, mesmo inespecíficos, há diferenças entre alguns apresentados por doenças do sistema nervoso.

A raiva é uma encefalomielite viral aguda que afeta todos os animais de sangue quente. A taxa de mortalidade é próxima a 100%. No Brasil é a enfermidade neurológica com maior incidência. No estado de Minas Gerais, cerca de 200 amostras oriundas do sistema nervoso de bovinos são analisadas por mês no Laboratório de Saúde Animal do Instituto Mineiro de Agropecuária (LSA / IMA) e cerca de 40% dessas amostras tem confirmação positiva para Raiva.

O sinal inicial é o isolamento do animal, que se afasta do rebanho, apresentando certa apatia e perda do apetite, podendo apresentar-se de cabeça baixa e indiferente ao que se passa ao seu redor. Seguem-se outros sinais, como aumento da sensibilidade e prurido na região da mordedura, mugido constante, tenesmo, hiperexcitabilidade, aumento da libido, salivação abundante e viscosa e dificuldade para engolir. Com a evolução da doença, apresenta movimentos desordenados da cabeça, tremores musculares e ranger de dentes, midríase com ausência de reflexo pupilar, incoordenação motora, andar cambaleante e contrações musculares involuntárias. Após entrar em decúbito, não consegue mais se levantar e ocorrem movimentos de pedalagem, dificuldades respiratórias, opistótono, asfixia e finalmente a morte, que ocorre geralmente entre 3 a 6 dias após o início dos sinais, podendo prolongar-se, em alguns casos, por até 10 dias (MAPA, Controle da raiva dos herbívoros: manual técnico 2009).

O diagnóstico não tem como ser realizado com o animal vivo. É feito por identificação imunoquímica do antígeno viral ou por isolamento viral. O isolamento viral se dá através de duas técnicas, a primeira consiste em teste de inoculação em camundongo e a segunda em teste de em cultura celular.

A Rai-Vet Líquida é uma vacina inativada contra raiva dos herbívoros. Deve ser usada como profilaxia da doença. Sua dosagem de aplicação é de 2 (dois) ml, através da via subcutânea ou intramuscular. Nas áreas de ocorrência de raiva, a vacinação será adotada sistematicamente, em bovídeos e equídeos com idade igual ou superior a 4 (quatro) meses. Animais primovacinados deverão ser revacinados após 30 (trinta) dias. Animais adultos deverão ser revacinados anualmente.

Frasco de RAI-VET LÍQUIDA

REFERÊNCIAS
– King A. A. & Turner G.S. 1993. Rabies: A review. J. Comp. Path. 108:1-39.
– QUEIROZ, Gustavo R. et al. Diagnóstico diferencial das doenças neurológicas dos bovinos no estado do Paraná. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 38, n. 7, p. 1264-1277, 2018.
– Sanches A.W.D., Langohr I.M., Stigger A.L. & Barros C.S.L. 2000. Doenças do sistema nervoso central em bovinos no Sul do Brasil. Pesq. Vet. Bras. 20(3):113-118.
– OLIVEIRA, Taismara S. et al. Neurological diseases of cattle diagnosed by histopathology in Minas Gerais. Braz J Vet Pathol, v. 9, n. 2, p. 62-69, 2016.
Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Controle da raiva dos herbívoros: manual técnico 2009 / Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. – Brasília: Mapa/ACS, 2009. 124 p.; 18 cm.