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Bronquite Infecciosa das Galinhas

O vírus da Bronquite Infecciosa das galinhas (VBIG) é um coronavírus disseminado mundialmente em galinhas. A primeira descrição ocorreu em 1931 como uma doença respiratória de aves jovens.

Atualmente é mais corretamente definida como uma síndrome infectocontagiosa com manifestações respiratórias, renais, reprodutivas e entéricas. Na avicultura industrial atinge aves reprodutoras (para corte e postura), frangos de corte, poedeiras comerciais e codornizes.

O VBIG possuí uma fita simples de RNA e é envelopado. Sua morfologia é característica por ser em formato arredondado e circundado por uma coroa de espículas. Sua membrana apresenta 23 diferentes tipos de proteínas para sua classificação viral completa, entretanto, sua classificação em sorotipos é baseada na região hipervariável da proteína de espícula S, utilizada como fonte de dados tanto para reações sorológicas quanto de biologia molecular. E uma mesma classificação de sorotipo não indica que o VBIG terá o mesmo tropismo celular nem uma mesma patogenicidade.

O local primário de replicação é o trato respiratório superior, independente do sorotipo. O vírus se dissemina pela via horizontal rapidamente por contato direto ou indireto. Uma única galinha infectada e não vacinada pode transmitir o vírus para outras 20 galinhas. O período de incubação da BIG é de 18 a 36 horas, dependendo da dose e da via de inoculação. A infecção em galinhas, sem processos de complicação, tende a ter o desaparecimento dos sintomas em até 15 dias após o início.

Por apresentar vários sorotipos que atuam com diferentes características em termos de genótipos e fenótipos, que divergem das amostras de referência padrão, sua identificação correta é fundamental para a resolução da patologia. No Brasil, o termo variante é largamente utilizado do campo aos laboratórios de diagnóstico, no qual a cepa variante da BIG do tipo GI-11, ou BR1, têm sido a mais prevalente.Em um trabalho realizado por Fraga et al (2018) verificou-se que 74,5% dos VBIGsidentificados no Brasil, sequenciados e depoistados do GenBank, são pertencentes ao Sorotipo BR1.

Esse agente representa grandes prejuízos econômicos que muitas vezes não são diagnosticados com os sintomas clássicos da doença. Além de ter sua disseminação de forma rápida o agente pode permanecer viável na granja por períodos de 12 dias e concomitantemente agir em granjas vizinhas. Em aves jovens, a BIG pode cursar com os sintomas clássicos de doença respiratória, com edemas e exsudatos nas traqueias e brônquios, além de inflamações em sacos aéreos, pericardite e pleurite. Muitas vezes está associado ao quadro de síndrome da cabeça inchada. É importante realçar que a infecção de fêmeas de menos de duas semanas de idade, pode causar lesões permanentes do sistema reprodutor, causando o que se chama de falsas poedeiras. A mortalidade nessa fase de vida dependerá da evolução dos sintomas, da carga viral, do sorotipo e da interação com outros agentes patológicos. Já no sistema renal, quadros de nefropatogenicidade tem sido associada a cepas BR1.

Para as aves de postura comercial ou reprodutoras, além dos descritos na fase mais jovens, a sintomatologia comumente se demonstra relacionada a qualidade dos ovos. O vírus pode causar uma queda discreta de produção, abaixo do standard, que dificilmente alcançará os níveis desejados novamente, ou mesmo uma queda severa com deterioração do formato, espessura e coloração da casca, além de um efeito liquefeito do albúmen. Em reprodutores machos a BIG pode estar relacionada a diminuição da fertilidade, com cálculos epididimais e orquite, levando em alguns casos a infertilidade.

Em um trabalho realizado por Assavag et al (2012), foram levantandos dados econômicos das perdas que muitas vezes os produtores não visualizam com a BIG no campo de forma direta. Essa perda decorrente da piora na qualidade da casca e redução na taxa de eclosão de ovos férteis, foi mensurada em 6.660.000 matrizes pesadas, onde 14% das aves apresentavam quadro clínico, e se chegou à um valor de U$ 251,49 para cada 1000 matrizes alojadas.

Em frangos de corte, independentemente do sexo das aves, acarreta a piora do ganho de peso diário, aumento da conversão alimentar, sinais clínicos relacionados ao sistema renal e muitas vezes, poucos sinais clássicos relacionados ao trato respiratório. Fernando, F. S. et al (2016) demonstraram em seu trabalho que as perdas econômicas decorrentes da presença do vírus numa integração foram de U$ 3,567 para cada 1000 aves alojadas, somando a piora na conversão alimentar e ganho de peso diário das aves, a mortalidade total no campo e o aumento das condenações no abatedouro.

Como as perdas na avicultura muitas vezes não são mensuradas a campo, pois, não apresentam os sinais clínicos clássicos da doença e assim passam despercebidas, é necessário o emprego de ferramentas que auxiliem na monitoria do vírus e assim relacioná-lo de maneira correta com o problema clínico evidenciado na granja. As técnicas de biologia molecular têm auxiliado na identificação e caracterização do agente circulante no campo, bem como, as provas sorológicas.

A biosseguridade é um grande aliado da prevenção e do controle de um surto da BIG. Os programas direcionados à prevenção utilizam ferramentas de segregação, limpeza, higienização e desinfecção dos fômites como um pilar reforçado do manejo.
Adicionados ao manejo preventivo atualmente o controle da BIG é obtido por meio da vacinação das aves. Através do uso de vacinas vivas atenuadas e inativadas. Sendo que as vivas têm a função de prevenir e controlar a infecção em frangos de corte e de servir como primovacinação de poedeiras comerciais e reprodutoras. Já as vacinas inativas são fundamentais para a indução de níveis de anticorpos elevados, uniformes e de longa duração.

Uma vez conhecendo a realidade epidemiológica da doença na avicultura industrial, pode-se aplicar um programa vacinal que utilize um ou mais sorotipos diferentes de BIG. A intenção é sempre ampliar o espectro de proteção e ter a maior e melhor homologia com a cepa de campo, protegendo assim as aves frente aos desafios. No trabalho de Wit et al (2011), foi possível visualizar a correlação positiva entre o nível de homologia entre diferentes sorotiposde IBV e o nível de proteção cruzada entre essas cepas. No gráfico a seguir é possível ver a tendência de quanto mais homólogo a cepa vacinal do vírus de campo, maior é a proteção nas aves.

Gráfico 1: Correlação entre o nível de homologia na região S1 do gene S de cepas de IBV e o nível de proteção cruzada entre essas cepas, conforme relatado em sete publicações

Correlação entre o nível de homologia na região S1 do gene S de cepas de IBV e o nível de proteção cruzada entre essas cepas, conforme relatado em sete publicações

Para a melhor imunização das aves e maior abrangência protetiva frentes aos sorotipos circulantes no plantel nacional, além da Vaxxon H120, uma cepa Massachusettes, temos agora em nosso portifólio a Vaxxon IBr constituída da cepa 444- Br. A Vaxxon IBr é uma vacina que traz em sua composição um vírus vivo atenuado do sorotipo BR1, obtido de um caso clínico de campo no ano de 2012. Desenvolvida pelo Vaxxinova, especialista em vacinas aviárias, a Vaxxon IBr foi idealizada a partir da homologia existente com os desafios de campo e a necessidade de um amplo espectro de proteção, tornando-se uma solução brasileira para a obtenção de uma Proteção em Destaque.

Referências Bibliográficas:
1- Assayag Jr., M.S; Chacón, J.L.V; Ferreira, A.P. (2012) Economical impact of infectious bronchitis in a poultry integration system. VII International Symposium on Avian Corona- and Pneumoviruses and complicating pathogens. Rauischholzhausen, Alemanha.
2- Berchieri Júnior, a.; Freitas Neto, o. C salmoneloses aviárias. In: Berchieri júnior, A. et al. (Ed.). Doenças das aves. 3 ed. Campinas: Fundação APINCO de Ciência e Tecnologia Avícolas. p. 753-772, 2020.
3- Cavanagh, D. (2005) Coronaviruses in poultry and other IBrds. Avian Pathology, 34(6):439-448.
4- Fernando, F. S., Montassier, M. F. S., Silva, K. R., Okino, C.H., Oliveira, E.S., Fernandes, C. C., Bandarra, M. B., Gonçalves, M. C. M., Borzi, M. M., Santos, R. M., Vasconcelos, R. O., Alessi, A. C. e Montassier, H. J. Nephritis associated with a S1 variant Brazilian isolate of infectious bronchitis virus and vaccine protection test in 49
experimentally infected chickens. International Journal of Poultry Science 12, 639- 646, 2013.
5- Fernando, F.S., Kasmanas, T. C., Mazutti, A., Schaefer, G., Montassier, H. J., Assayag Jr, M. S. Longitudinal field studies on the pathogenesis, persistence, and molecular biology of avian infectious bronchitis virus in Brazilian broiler flocks In: Proceedings of the 9th International Symposium on Avian Corona- and Pneumoviruses,
Utrecht, The Netherlands, 21-24 June, pp. 97-103, 2016.
6- Fernando, F.S., Okino, C. H., Silva, K. R., Fernandes, C, C., Gonçalves, M. C. M., Montassier, M. F. S.,
Vasconcelos, R. O. e Montassier, H. J. Increased expression of Interleukin-6 related to nephritis in chickens
challenged with an Avian infectious bronchitis virus variant. Pesquisa Veterinária Braileira 35, 216-222, 2015.
7- J. J. (Sjaak) de Wit, Jane K. A. Cook & Harold M. J. F. van der Heijden (2011): Infectious bronchitis virus variants:
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